ÍNDICE

Capa

Turismo
Passeio Virtual
Como chegar
Monte seu pacote
Dicas de viagem
Reservas online
Guias de Turismo

Fotos 360 Graus
Veja as fotos do Festival

Galeria dos visitantes
A feirinha local
Web Cam diária

Serviços
Hotéis
Restaurantes
Comércio local
Agência na Chapada

Participe
Histórias de viagem
Links sobre a Chapada
Textos sobre a Chapada

Contato
E-mail
Assine nossa newsletter

INFORMATIVO HISTÓRICO DA CHAPADA DOS GUIMARÃES

 

No início do século XVIII na região de São Paulo havia um grupo de homens chamados de "bandeirantes", que viajavam toda região em busca de ouro, pedras preciosas e índios para poderem comercializar; numa destas incursões descobriram ouro na região de Minas Gerais, mas os portugueses interessados em uma maior arrecadação de impostos gerados pela quinta parte do ouro achado, queriam abrir as Minas Gerais para que todos as explorassem, mas os bandeirantes não gostaram gerando a guerra dos” Emboabas" (que significa estrangeiro), no qual os paulistas saíram perdedores. Desiludidos com as Minas Gerais partem em busca de ouro em outra regiões do país subindo o rio Tietê todo, e o rio Paraguai. A bandeira de Pascoal Moreira Cabral, na ocasião que estavam estacionados, encontraram Antônio Pires de Campos que acabava de chegar de uma viagem pelo rio Cuiabá, onde afirmou existirem índios e ouro em grande quantidade. Pascoal Moreira, então colocou sua bandeira na direção de Cuiabá, chegando em l718, em 1719 funda-se a "Vila do Nosso Senhor do Bom Senhor Jesus de Cuiabá" e em 1720, um dos integrantes de sua bandeira chamado Antônio de Almeida Lara sobe a serra de Chapada com a desculpa de caçar perdizes, quando na realidade estava disposto a encontrar um local para construir uma fazenda.

Antônio de Almeida Lara sabia da proibição que as cortes portuguesas faziam em relação a ocupação e a aberturas de fazendas em região de garimpo, os portugueses não queriam pôr dois principais motivos: primeiro, iria tirar um homem que trabalhava no garimpo e portanto gerava impostos a Portugal e desviar para a agricultura que iria concorrer diretamente com as "monções" de abastecimento que eram monopólios dados a determinadas companhias de comércio que detinham a exclusividade com o comércio regional, abastecendo com víveres, óleo, sal e outros produtos importantes para a sobrevivência dos garimpeiros, que eram trocados pelo ouro produzido. Porém a distância com o representante mais próximo da corte era enorme ,e o governador de São Paulo naquela época, era Rodrigo Cesar de Menezes e havia delegado aos bandeirantes o poder para representar a burocracia portuguesa e fazer aplicar as leis além de coletar os impostos, deu a liberdade necessária para a construção de várias fazendas na região do garimpo, sendo a primeira fazenda de cana de Mato Grosso a fazenda "Burity Monjolinho" exatamente onde hoje e a Escola Evangélica de Burity".

Contam, que Antônio de Almeida Lara, armou seis canoas e mandou para a região de São Paulo em busca de mudas de cana de açúcar, voltando seis meses depois com as referidas mudas, que logo foram plantadas em sua fazenda. Dizem, que os mais espertinhos saiam de Cuiabá e vinham para a fazenda roubar durante a noite mudas de cana para venderem em Cuiabá pôr uma oitava de ouro, isso pôr que inexistia o produto e todos gostariam de produzir mudas para organizar outros engenhos!

A cachaça produzida no engenho foi de grande serventia para a população já bastante sofrida pelas pestes, sezões e malárias que assolavam a região, e a cachaça do Buriti servia para amenizar o sofrimento. Diz uma curiosa passagem relatada ainda no século XVIII" As pessoas que tinham caras de defunto deixaram-nas de ter após o surgimento da cachaça do Buriti", ilustrando a importância da produção pôr estas paragens.

Mas logo percebeu-se a importância para a região uma produção de subsistência pois os índios Paiaguás, exímios guerreiros, confederaram-se com os Guaicurús, índios cavaleiros que habitavam o sul do Pantanal e fecharam a passagem do rio Paraguai para os brancos num período de 1731 até 1737, impedindo assim o abastecimento feito pelas monções, e submetendo a população sitiada ter que sobreviver da caça e dos produtos produzidos pela fazendas clandestinas. Este isolamento só foi terminado após mais uma vez terem desobedecido as ordens portuguesas de não abrir estradas na colônia para dificultar o trânsito dos produtos fora do monopólio português, esta nova estrada ligou Cuiabá até a cidade de Goiás Velho passando pela Chapada dos Guimarães, chegando então o primeiro gado vacum na região. Mais tarde os índios Paiaguás serão dizimados, e hoje ironicamente são homenageados no nome do palácio do governo de Mato Grosso. Mais tarde os índios Caiapós‚ que darão "dor de cabeça" aos brancos que transitam pela estrada até‚ Goiás, e a guerra com o índio acontece em muitos momentos da história até o século XX. A cidade de Chapada era toda cercada pôr muros de pedra canga para repelir ataque indígenas.

A rainha de Portugal era D. Maria,” a louca" mas não era boba, pôr que percebeu que nunca chegavam a Portugal os impostos que eram cobrados pêlos bandeirantes, chegando até‚ a nomear uma pessoa para vir fazer a "derrama", cobrança de impostos à força e encheu um baú cheio de ouro, mas quando chegou a Portugal haviam apenas pedras comuns. Isto foi um basta para dona Maria que desmembra o Mato Grosso da Capitania de São Paulo e nomeia um governador português que chega a Cuiabá em 1751 trazendo em sua comitiva padres Jesuítas que vieram para criarem as missões Jesuítas. Vale um comentário que os índios eram outra fonte de renda para os bandeirantes, pois São Paulo era uma capitania pobre e tinha dificuldades em adquirir o caro escravo negro que era trazido pêlos portugueses, e o índio era vendido pôr um terço do preço do negro, tornando um forte concorrente aos negócios portugueses. As missões serviam para reduzir os índios e adequa-los ideologicamente, culturalmente e religiosamente impediam que fossem escravizados preservando então o comércio dos portugueses. Os Jesuítas diriam" os índios tem alma e não podem ser escravizado, os negros não tem alma, portanto podem ser escravizados" tentando com isso preservar os interesses econômicos portugueses. Enquanto isso os portugueses lançavam a contra propaganda que os índios são indo lentes, preguiçosos e não serviam para o trabalho agrícola e o negro seria bom trabalhador, agüenta o eito e boa mão para agricultura, que aliás, estavam até‚ pouco tempo em nossas cartilhas.

A primeira missão Jesuíta de Mato Grosso foi num local onde hoje e denominado de Aldeia Velha, distante cerca de três quilômetros do centro de Chapada, foi dirigida pelo padre Estevão de Castro que reduziu além de Bororos que eram abundantes na região e foram logo subjugados pêlos brancos, índios Caiapós, e índios de todas a região misturados na missão ,inclusive de Mochos e Chiquitos, já em território da Bolívia .Na missão foi construída uma igreja coberta de palha e altar forrado com papéis pintados com a imagem de Nossa Senhora de Santana do Sacramento ladeada de Santo Inácio de Loyola e São Francisco de Assis. Porém em 1759 o Marquês de Pombal que governava o Brasil delegado pelas cortes portuguesas expulsou todos os Jesuítas do Brasil pôr causa das missões do Sul do Brasil que ameaçavam sublevar-se ao governo português, deixando a aldeia de "Santana" abandonada, dispersando os índios que aqui moravam.

Em 1778 o Dr. José Carlos Pereira um Juiz de Fora de Cuiabá ao subir a serra deparou-se "com as condições indecentíssimas para a celebração dos ofícios divinos" da capela da antiga missão e reúne condições para erigir em tempo recorde um nova igreja distante cerca de meia légua da original, muito bonita e feita de taipa pilada sendo inaugurada em julho de 1779 com uma procissão que transportaram as imagens para a igreja nova transferindo a cidade para a nova localidade. Em l782 a Chapada deixa de chamar-se Chapada de Santana e passa a chamar-se Guimarães em respeito a uma lei que obrigava mudar os nomes de localidade na região para diferenciar das terras da Espanha, e Guimarães‚ o nome de uma cidade no norte de Portugal, e apenas no século XX colocou-se "dos Guimarães" o que daria uma falsa idéia de uma suposta família Guimarães que teria a propriedade da região.

Muitos engenhos vão instalar-se um Chapada tornando a região importantíssima para o abastecimento local, produzindo inclusive para abastecer as terras da Espanha em troca da prata espanhola que era contrabandeada para Portugal. No final do século XIX justificou-se a construção de uma estrada de ferro ligando a região da Lagoinha no interior de Chapada até Cuiabá para o escoamento da produção, mas com a guerra do Paraguai o envolvimento da região foi muito grande com a maioria dos homens na luta diminuindo a produção local e após a guerra os soldados voltaram com a peste da varíola ou bexiga que vai dizimar quase um terço da população chapadense. E em 1888 com o fim da escravidão Chapada entra na mais profunda decadência principalmente pôr não conseguir fixar os imigrante europeus na região pôr conta do clima e pela quantidade de doenças e mosquitos. Chapada entra no século XX com apenas dez pôr cento da população que tinha no século XIX. Apenas a fazenda Buriti já abandonada vai ser vendida pôr uma bagatela ao presbiterianos norte americanos que saem de Salvador-BA no lombo de burros e chegam comprando a fazenda para estabelecer a primeira missão evangélica do Brasil Central estabelecendo em l923 a Escola Evangélica do Buriti, existindo até hoje como um colégio técnico agrícola em regime de internato formando meninos e meninas para uma vida no campo.

Apenas na década de 1960 com o inicio da mecanização da agricultura começam a abrir os campos para agricultura. Nesta época o município de Chapada era o maior do mundo com mais de 204 mil KM quadrados, maior que a Alemanha antes da unificação, indo ate o limite com o Pará na Serra do Cachimbo, mas foi desmembrado. Posteriormente originam-se muitas cidades do "portão" matogrossense, e durante a década de 70 a expansão da pecuária estimula a criação de uma rodovia asfaltada entre Cuiabá e Chapada, chegando no final dos anos 70 o asfalto a televisão e o telefone interligando Chapada com o mundo. Nesta época a cidade tinha pouco mais de mil habitantes, e hoje conta com 6.000 no campo e mais 6.000 na cidade.