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A R Q U E O L O G I A

Maria Lúcia Franco Pardi - Arqueóloga - SPHAN - MT

- Aspectos Arqueológicos

Embora no âmbito de um projeto de preservação tenhamos traduzido fielmente, resumido e transcrito alguns aspectos do Relatório de pesquisa do explorador Jean Perie no sentido de ter sido o único trabalho efetuado até o momento, a despeito de algumas restrições de cunho teórico-metodológico, consideramos relevante a inserção de uma abordagem da pesquisa pois a entendemos como o contraponto dialético que viabiliza a forma ideal de preservação , na medida em que possibilita à comunidade a compreensão sobre a importância e singularidade do patrimônio arqueológico.

Infelizmente, a despeito de ter produzido algum conhecimento o trabalho de J. Perie foi completamente ilegal, por não ter sido autorizado pelo CNPq e SPHAN conforme reza a legislação brasileira. As peças provenientes de sondagens, coletas de superfície e doações de populares, que chegam ao número de cem, foram retiradas ilegalmente do país e a publicação de seus dados foi efetuada em relatório de circulação restrita, dirigida e em língua francesa, não tendo se preocupado em fornecer um retorno à comunidade científica brasileira e à local matogrossense.

Em resumo, seu trabalho baseou-se em sítios arqueológicos de representações rupestres numa área bastante ampla, enquanto vamos nos restringir à área do projeto em tela.

O autor enfocou basicamente três aspectos: temática e organização espacial; orientação geográfica e meio ambiente; e distribuição geográfica e inserção nas diferentes paisagens.

Este primeiro item pode ser sintetizado através do quadro

Os resultados obtidos o autor constata, entre outros, que, o tema de representação humana está bastante presente, embora seja tratado de formas diferente, configurando duas vertentes. Discorre e cita a seguir os tipos de arte e sua organização espacial, a temática da arte gravada, os motivos predominantes das representações humanas, as associações e conjuntos, o plano gráfico, a busca do movimento na pintura, as escalas, o estilo de gravuras, o número de espécies encontradas nas pinturas e sua freqüência, a utilização de pigmento e os estilos de execução.

Buscando comparações amplas, coloca que todas as evidências e abordagens correspondem a tendências artísticas regionais, inseridas em duas correntes culturais artísticas; pinturas e gravuras.

O primeiro parágrafo é concluído com a constatação da existência de zonas geográficas artísticas, definidas por uma série de sítios diretores que poderiam corresponder a santuários.

Dos resultados obtidos o autor constata, entre outros, que o tema de representação humana está bastante presente, embora seja tratado de formas diferentes, configurando duas vertentes.

Discorre e cita a seguir os tipos de arte e sua organização espacial, a temática da arte gravada, os motivos predominantes das representações humanas, as associações e conjuntos, o plano gráfico, a busca do movimento na pintura, as escalas, o estilo de gravuras, o número de espécies encontradas nas pinturas e sua freqüência, a utilização de pigmento e os estilos de execução.

Buscando comparações amplas, coloca que todas as evidências e abordagens correspondem a tendências artísticas regionais, inseridas em duas correntes artísticas: pinturas e gravuras.

O primeiro parágrafo é concluído com a constatação da existência de zonas geográficas artísticas, definidas por uma série de sítios diretores que poderiam corresponder a santuários.

Eles reúnem numerosos motivos com temáticas regionais e simbolismo característico, mas pelo menos uma vez a representação humana está presente.

Frei Canuto como sítio de pintura, Letreiro dos Bugres e Fecho do Morro da Lagoinha representam as gravuras, cujo simbolismo é ainda mais acentuado.

Em relação ao segundo item - orientação geográfica e meio ambiente - foram utilizados gráficos comparativos, incluindo o aspecto da incidência solar, conforme reprodução a seguir.

Cada segmento do círculo representa um sítio arqueológico, sendo que dois destes são blocos sem orientação precisa.

Constatou-se que em geral os sítios de pinturas e gravuras não possuem as mesmas orientações geográficas, o que o remeteu á insolação dos sítios.

Cada segmento de círculo corresponde a um sítio arqueológico. Assim, o autor constatou que as representações - são de " preferência" expostas ao sol da manha.

O meio ambiente dos sítios rupestres está resumido no quadro abaixo, sob comentários relativizantes, sobre a validade desta abordagem que produz apenas as condições atuais, na medida em que as mudanças climáticas e a intervenção humana podem ter alterado seu aspecto original.

Através deste, o autor constata que o meio ambiente dos sítios de pintura são mais homogêneos que o de gravuras; eles se localizam no pé de falésias, orientados para as planícies. São envolvidos por uma floresta densa ou uma savana arborizada (cerradão ?), geralmente próximas a um riacho.

O terceiro item - repartição geográfica e inserção na paisagem contém observações que afirmam a existência de uma concentração de sítios na região; está de forma geral defendendo a teoria da existência de um corredor habitável em todos as estações do ano, em função da seqüência de relevos tabulares que se encontram ao longo deste eixo, que serve de divisor das grandes bacias hidrográficas do Amazonas, Araguaia, e Paraguai. Os sítios de pinturas e gravuras da Chapada dos Guimarães fariam parte destes eixos geográficos paralelos. Ainda de forma mais ampla, Perie, discorre sobre o material lítico encontrado, sendo que na Chapada ele cita a obtenção de grandes quantidades que estavam em poder de particulares, além das coletas superficiais que realizou. Na Chapada especificamente, cita as três peças desenhadas abaixo, procedência não esclarece ( o material não se encontra em nenhuma instituição local).

Finalizando suas conclusões, coloca que a análise comparativa dos fatos arqueológicos demonstra, entre outros,

- a ocupação de áreas situadas dentro de um corredor que corresponde á seqüência de relevos, que separam as três grandes bacias do Amazonas, Araguaia e Paraguai; e

- a distância das duas formas de expressão artística (pinturas e gravuras) inteiramente autônomas, ocupando dois eixos geográficos paralelos, corresponde cada uma a ambientes e paisagens diferentes.

Sobre o problema da identificação destas questões pré - históricas, coloca que ele não será resolvido sem a execução de pesquisas específicas sobre os planos estratigráficos e estilísticos. Apenas ela poderia determinar a relação entre culturas e estilos, inserindo assim os sítios dentro de seu contexto cultural e temporal.

A seguir, o autor discorre sobre como se deve imaginar a ocupação humana e, na ausência de maiores dados, fornece uma listagem de populações indígenas, cujas características culturais, se não podem ser diretamente extrapoladas, também não ser negligenciadas.

Em um último item de conclusão sobre a arte rupestre do Mato Grosso, o autor retorna aos dois pontos essenciais, das duas formas de expressão artística autônomas, ocupando eixos geográficos paralelos com meio ambiente e paisagens diferentes e ainda a teoria do corredor.

O trabalho de Jean Perie apresenta aspectos divergentes do nosso, como a associação da água com sítios de gravuras, o que se verifica na maioria dos sítios que temos cadastrados na Chapada além de ser uma característica bastante comum na literatura científica brasileira.

Em relação a suas conclusões principais de que as representações de pinturas e gravuras aparecem de forma autônoma como característica da arte rupestre do Mato Grosso, pudemos observar que não se verificam em todos os assentamentos conhecidos no estado.

Inúmeros são os sítios com superposições como o "Complexo Urubu-Rei " e " Bicho Morto", entre outros , em Jaciara, no Pantanal etc.

Citado " Bicho Morto" inclusive foi também visitado por Perie, que não faz referência ás pinturas.

Outra questão se refere ás bacias do Paraguai, Araguaia e Amazonas, que demonstram pouca intimidade com a hidrografia local na medida em que o Araguaia é afluente do Tocantins que se inicia no Amazonas. Existem portanto apenas duas bacias: do Paraguai e do Amazonas.

Considerando também prematuro se concluir sobre a arte rupestre do Mato Grosso, devido á sua extensão e á diversidade ambiental, que envolve floresta Amazônica, pantanal, cerrado, campos, este aspecto se agrava na medida em que a metodologia utilizada de informações orais, que mostra provavelmente uma visão distorcida dos dados, provocando uma exacerbação dos vestígios de representações rupestres.

Portanto, considerando suas conclusões como uma hipótese a ser testada quando prospeções sistemáticas puderam ser efetuadas de forma que se cadastrem, pelo menos, todos os tipos de sítios em todos os tipos de ambiente.

A guisa de melhor compreensão pela comunidade, quando nos referimos a prospeções sistemáticas podemos exemplificar com o trabalho de Walter Alves Neves (1984), A Evolução do Levantamento Arqueológico na bacia do Alto Guaporei-Sp que se reutilizou de um programa de campo em multiestágios que se iniciou com o tradicional levantamento proposto por Evans & Meggers (1965), e que envolve a verificação das informações orais e caminhamento do terreno, tendo por base as margens dos cursos d’água. Assim se teriam dados como :

a - um inventário genérico da ocorrência de sítios que visava sobretudo delinear eventuais preferências de ocupação topomorfológica;

b - uma amostra da cultura material, para conhecer as tradições culturais e sua distribuição ;e

c - a indicação dos sítios potencialmente por escavações sistemáticas em superfície amplas. A necessidade de contornar alguns problemas - o conceito de " sistema de sítios" como unidade de análise, escalonada segundo a arqueologia espacial de Clark (1977) e a busca de informações no exterior; - mudou a orientação teórica do projeto para uma arqueologia contextual completa, abordando todos os níveis de análise. A nova fase de projeto objetiva a definição de padrões de estabelecimento e subsistência de Chapada dos Guimarães nas coordenadas de lat. 15º8' a long.55º39' e lat. 15º36' a long. 55º48'.

Caracterização científica - Nesta bacia principal do ribeirão do Couro, estão localizadas as nascentes do ribeirão Sumidouro apresenta um comprimento axial desde a nascentes principal até a foz com o ribeirão do Couro de 21,2 km de extensão, uma extensão média de drenagem na bacia de 3,58 km e uma área de contribuição de 75,89 Km2. Esta bacia fica caracterizada como de segunda ordem, apresentando uma diferença de elevação entre a nascente e a sua foz nas cotas 760 m e 176 m respectivamente de 584 m de desnível, com um padrão de drenagem do tipo dentrífico, formando cascatas que caem do topo da escarpa, de caráter perene e intermitente. O seu perfil longitudinal e/ou curva hipsométrica apresenta-se bastante deformada e irregular devido á existência de rápidas corredeiras e alguns pontos singulares.

Avaliação das condições ambientais - A micro-área é ocupada por fazendas, cujas atividades principais são a criação de gado de corte e a mineração (ouro). Próximo ás nascentes formadoras do ribeirão do Couro, passa a linha de transmissão (Cemat), que tem área totalmente descaracterizada pelo desmatamento ao longo do seu trajeto principal. Os locais de atividade agrícola apresentam-se com vestígios de queimadas nas áreas planas dos terraços; bem como áreas próximas ás veredas encontram-se pisoteadas. A região apresenta-se com solos de média coesão (pouco permeável) favoráveis a processos erosivos e retenções de água.

Conclusões e recomendações - Os agentes degradantes do solo dessa sub-bacia são provenientes da própria conformação hidrogeológica, topografia local, devido principalmente ás atividades minerais e agrícolas. A presença de resíduos sólidos e sedimentos tem provocado alterações substanciais no meio ambiente biótico, comprometendo a qualidade da água e a vida desses mananciais. Para que sejam amenizados esses impactos, são necessários campanhas de conscientização desses freqüentadores. As nascentes deverão ser conservadas, evitando a derrubada e a queima de árvores. Deverá ser feita a recuperação dos trechos das margens dos rios, com plantio de árvores de espécies nativas do local.

Mirante

Localização da Área - A micro-área em estudo pertence na sua maioria á bacia principal do ribeirão Formosa, observada do mirante na cota 797 m, cuja bacia em questão está situada entre os quadrantes ( nascente-foz) na lat. 15º 28' - long. 55º 38' e 36' e alt. 15º34' e long. 55º38 lat. 15º 34' - long. 55º 40', onde está localizada a sudeste da cidade de Chapada dos Guimarães.

Caracterização científica - Próximo da micro-área em estudos, estão localizadas partes das nascentes do ribeirão Formosa, apresentando um comprimento do rio principal desde a nascente principal até a foz com o córrego Urubamba de 14,30 km, extensão média de drenagem da bacia de 6,31 km e uma área de drenagem de 90,23 Km2. Esta sub-bacia fica caracterizada como uma bacia de terceira ordem, apresentando uma diferença de elevação entre a nascente e a foz nas cotas 765 m e de 589 m de desnível, com um padrão de drenagem do tipo dentrítica, formando quedas rápidas e corredeiras que caem do topo da escarpa de caráter intermitente e perene. O perfil longitudinal e/ou curva hipsométrica é bastante irregular devido a topografia e geomorfologia local. Dentro da sub-bacia principal do ribeirão Formosa, existe um tributário bastante expressivo denominado córrego Urubamba, apresentando um comprimento axial de 12 km, uma extensão média de drenagem de 4,10 km e uma sub-bacia de drenagem de 49,20 Km2. Esta sub-bacia está situada desde a nascente até a sua foz com o ribeirão Formosa entre as coordenadas de lat. 15º33' - long. 55º40' apresentando um desnível entre a nascente e a foz nas cotas 725 e 176 m de 224 m de desnível, ficando caracterizado como um curso d' água de segunda ordem e um padrão de drenagem do tipo dentrítico.

Avaliação das condições ambientai - Esta micro-área é freqüentada por turistas em busca de lazer e belezas cênicas. Foi observado in loco a existência de vários acessos que adentram várias cachoeiras e até a borda do paredão. Este local propicia do ponto de vista turístico um visual da planície cuiabana. Notou-se também a ocupação a jusante dessa referida área, com atividades agropecuárias, cultura de subsistência e pastagem, descaracterizando a paisagem natural, devido ás ações antrópicas.

Conclusões e recomendações de pessoas nesse local e a abertura desses acessos sem levar em consideração a topografia e a geomorfologia local vêm provocando erosões naturais bem acentuadas, devido á ocorrência de pluviosidade do tipo orográfica que contribui para o lixiviamente dessas partículas sólidas para os cursos d' água naturais, com uma certa freqüência no período sazonal chuvoso. A presença visual dos resíduos sólidos tem provocado um aspecto negativo, necessitando-se da instalação de "container" para o acondicionamento desses materiais e que haja colaboração por parte dos órgãos municipais para a coleta. É necessário que se faça um rígido controle á abertura de novos caminhos e uma recuperação dos já existentes, através de bacias de amortecimento ( degraus). As nascentes deverão ser preservadas, pelo fato de já existir a presença de erosões localizadas que estão contribuindo para modificações nas calhas fluviais a jusante das escarpas, podendo no futuro se transformar em voçoroca.

Monjolos dos Padres

Localização da área - Situa-se a leste da cidade de Chapada dos Guimarães, onde as suas nascentes encontram-se próximas ao divisor de águas entre as sub-bacias do córrego Jamacá e córrego Vassouras, possuindo a nascente principal nas coordenadas de lat. 15º 28' e long. 55º45' e sua foz localizada nas coordenadas de lat. 15º 25' e long. 55º40' no rio Cachoeirinha.

Caracterização científica - O córrego Vassouras, um dos afluentes do rio Cachoeirinha, possui configuração em vales tipo V (vales profundos), matas do tipo galeria, possuindo um comprimento axial de 6,4 km e uma área de drenagem de 16,83 Km2 apresentando o perfil longitudinal em corredeira tipo sistema cascatinha, apresentando-se das nascentes até a confluência com o rio Cachoeirinha cotas entre 820 e 585 m.

Avaliação das condições ambientais - A sub-bacia do córrego Vassouras apresenta-se parcialmente depredada em relação ás matas ciliares e de galerias ao longo do seu curso, para formação de pastagem e pequenas lavouras.

O vale fica bastante evidenciado pela presença de intensas erosões, encontrando-se ao longo deste riacho grande número de blocos rolados, ocasionado pela presença de grande umidade na parte lateral da bacia provocando solapamento de margens devido á ação antrópica localizada. Em decorrência dessas ações verificou-se in loco a deposição em grande quantidade desses sedimentos principalmente nos meandros. Verificaram-se também tombamentos de várias árvores para dentro do córrego, obstruindo o fluxo de água natural e provocando em alguns trechos transversais escavações na calha fluvial do leito natural. A litologia predominante na área é evidenciada pela presença de areia, seixos rolados, matacões, arenitos e argilitos muito finos, que propiciam de uma certa forma o surgimento de vários nascentes na parte lateral do rio principal, bem como pela própria caracterização do fundo de vale.

Conclusões e recomendações - Os principais agentes degradadores dessa área são provenientes principalmente de áreas desmatadas, queimadas e focos de erosões laterais ao longo do curso d' água principal, devendo existir por parte das autoridades governamentais normatização dessa área, pelo fato de que ela se situa numa região de fundo de vale , propícia ao desmoronamento e escavações favoráveis a intensas produções de sedimentos. As nascentes devem ser conservadas, evitando derrubadas e queimadas da vegetação.

CONCLUSÃO GERAL E RECOMENDAÇÕES

Os impactos ambientais causados tanto nos ecossistemas aquáticos como fora deles, devido ás atividades desenvolvidas através das mineradoras (ouro) desmatamentos ( matas ciliares e de galerias), e o não uso de técnicas conservacionistas tanto na agricultura como na pecuária poderão provocar um desequilíbrio grave nesta área estudada, trazendo como conseqüência alterações irreversíveis em determinados ambientes (micro-área), comprometendo em parte todos os recursos hídricos, nos meios abióticos e bióticos.

O impacto causado pelas mineradoras nas áreas em questão tem promovido gênese de áreas propícias á erosão, fornecendo o aumento significativo do lixiviamento nessas microáreas ou sub-bacias, contribuindo de uma certa forma para a ocorrência de assoreamentos dos corpos d' água próximo ao desmonte.

Esta atividade promove ainda a poluição das águas por materiais em suspensão ( argila, silte) e químico, como é o caso das rochas que se alteram em superfície; alteração da drenagem natural, provocando focos de erosões e voçorocas; instabilidades nas encostas dos rios; alteração na morfologia dos cursos d' água; revolvimento do material sedimentado no fundo dos rios; destruição do leito natural e das margens.

A presença de mercúrio no sedimento pode causar mortandade e ocorrências teratogênicas em, por exemplo, ovos de peixes. O sedimento contaminado pelo mercúrio tem se mostrado mais letal para os ovos e embriões que para as larvas livres no ambiente.

Os desmatamentos e as queimadas, causados pelos projetos agropecuários, desnudam a superfície fértil e removem o solo superficial, provocando vários fenômenos ecológico, principalmente causando erosões, empobrecendo o solo e ocasionando mudanças nas características físicas locais.

Outro fenômeno ambiental importante é a mudança climática devido ao superaquecimento do solo e, conseqüentemente, do ar que está adjacente a ele, podendo provocar com freqüência precipitações do tipo Convecção térmica violenta.

A ocorrência dessa amplitude térmica faz com que caso ocorra a formação de fumaça nas horas de crepúsculo ou de manhã cedo, essa fumaça não suba, dificultando o advento de precipitações e de trocas de energia.

As queimadas afetam todo o ecossistema, com diminuição das chuvas, prejudicando destacadamente a agricultura de subsistência, pecuária (pastagens) e principalmente ocasionando a falta de visibilidade para operação de alguns aeroportos.

Com base nos fatos apresentados acima, é necessário que as autoridades envolvidas com problemas ecológicos promovam aplicação da política do meio ambiente e de leis ambientais vigentes, por todos os órgãos competentes.

É também importante que se desenvolvam estudos visando diagnosticar precocemente a presença de substância tóxicos nos ambientes, assim como revisar os critérios estabelecidos para os limites máximos permissíveis da sua presença nos ecossistemas.

Ao mesmo tempo, devem ser feitas campanhas para conscientização dos agricultores de alternativas técnicas de plantio, minimizando dessa forma impactos ambientais causados por esse setor econômico tão importante do país.

A questão do garimpo deve ser estudada com mais rigor, dando-se prioridade absoluta á questão do meio ambiente. O uso do mercúrio nos garimpos de maneira indiscriminada pode seguramente resultar, em curto prazo, num quadro tão assustador que, sem dúvida, se transformará na doença do século, trazendo conseqüências gravíssimas aos campos sócio-econômico e de toxicologia humana.

Deverá existir, por parte dos órgãos ligados ao turismo regional, uma orientação no sentido de convencer os turistas a não depredarem esta área conhecida mundialmente, para que, num futuro próximo, essas belezas cênicas possam ser apreciadas por outras gerações, bem como toda biota aquática da planície pantaneira.