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FLORÍSTICA E FISIONOMIA

Anadje L. do Prado - Mestre em Botânica -Mestre em Botânica/UFMT

RIOS CLARO E MUTUCA

Áreas próximas do município de Cuiabá, situado a noroeste da cidade de Chapada dos Guimarães, cortadas pelos riachos dos mesmos nomes, que possam suas vertentes ao pé da escarpa calinosa, sobre terrenos sedimentares, desembocando o primeiro no rio Salgadeira nas proximidades da confluência deste com o rio Coxipó e o segundo , diretamente no Coxipó. Assim como em outras regiões da Salgadeira, com suas características morfológicas no tocante á vegetação, além dos cerrados dos platôs e dos campos cerrados e cerrado rupestre dos paredões , a planície banhada pelas nascente dos riachos recobre-se de cerradão nas cabeceiras, constituído por espécies de estruturas desenvolvida (8 a 10 m de altura), dentre as quais, Physocalymma scaberrinum, Bursonima pachyphilla e outras também típicas do cerrado ( Qualea grandiflora, Q. multiflora, Curatella americana, Lafoensia paccari, Simarouba versicolor). Em seguida esta vegetação é substituida por mata semidecídua ciliar em grande parte do trecho superior destes rios e de seus afluêntes. Ao longo do rio Claro, principalmente, a mata é exuberante, compreendendo faixas relativamente larga. Em áreas mais distantes das cabeceiras, o embasamento de arenito da Formação Furnas e Botucatu é substituído por filito do Grupo Cuiabá. Nessas áreas a vegetação é representada também por manchas de cerradão, onde se evidênciam com frequência espécies de carvoeiro ( Callisthene fasciculata), timboeiro ( Magonia pubescens) e cumbaru ( Dipteryx alata) e extensas áreas de campo cerrado. As espécies da mata semidecídua ciliar, notáveis pela frequência e porte " desenvolvido" com cerca de 20 m de altura e até 2m de circunferência, formam um substrato superior uniforme destacando-se os guanandis (Callophyllum brasiliensis), os cambarás (Vochysia haenkeana, Vochysia sp), as lináceas (Humiria sp) e as mulateiras (Apuleia sp), os pombeiros (Tapira guianensis), almecegas ( Protum heptaphyllum) figueiras (Ficus sp), crisobalanáceas (Hirtella glandulosa), pindaíba (Xylopia emarginata) e muitas outras. No estrato arbustivo e arbóreo deste mata com cerca de 4 a 8 m de altura, evidenciam-se nitidamente as espécies de Bactris sp. Myrcia sp, Hirtella gracilipes, Siparuna guianensis, Alibertia educalis; e o estrato herbáceo tem aparentemente uma configuração de áreas brejosas, onde as ciperáceas, tais como capins-navalha (Rhychospora sp), propagam-se entremeadas por aráceas e outras. As matas semidecíduas ciliares são, na área, comumente contornadas por campos úmido (veredas), onde destacam-se também com frequência os buritis (Maurita flexuosa) que evidenciam á distância as diversidades vegetacionais alí encontradas. Esta espécie aparece também nos canais de drenagem geralmente próximos ou entremeada com a mata semidecídua ciliar. As áreas interfluviais colinosas são recobertas por cerrados, destacando-se neste ambiente os muricis (Byrsonima verbascifolia, B. crassiflora), os paus-terra (Qualea grandiflora), os paus-doce (Vochysia rufa, V. tucanorum), as lixeirinhas (Davilla grandiflora), o cajuzinho (Anacardium humile); e campos cerrados com as espécies típicas sobre latossolos e litossolos, respectivamente. Destacam-se ainda nestas últimas formações, entre várias outras espécies, a lixeira (Curatella americana), e embiruçu ( Pesudobombax longiflorum), as primenteiras (Erythroxyllum spp ), os paus-santos (Kielmeyera coracea, K. rubriflora), os timboeiros (Mogonia pubescens) e os aricás (Physocalymma scaberrimum). Estas duas espécies, conforme mencionado acima, participam também das formações de cerradões, principalmente nas proximidades das confluências do rios claro com Salgadeira e deste e o Mutuca com o Coxipó.

AVALIAÇÕES DA CONDIÇÕES AMBIENTAIS As áreas dos rios Claro e Mutuca vêm sendo descaracterizadas pelo desmatamento com o intuito de instalação de chácaras, bem como a retirada da vegetação ciliar substituída por monocultura de subsistência tais como: mandioca, milho e abacaxi. Os locais decapados da vegetação nativa expõem os solos ás intempéries, causando assoreamento dos riachos que funcionam como verdadeiros criadouros naturais de muitos peixes regionais. As trilhas indevidas de acesso aos riachos são uma das principais causadoras das voçorocas verificadas nos locais de vereda e/ou áreas desnudas. Deve-se ressaltar que estes ambientes são extremamente suscetíveis aos processos erodíveis quando desprovidos de vegetação natural.

RECOMENDAÇÕES Diminuição das trilhas das mesmas que cortam, atualmente, as áreas de veredas para as áreas menos sensíveis ( sem retirar plantas herbáceas) ao tráfego como o cerrado e as bordas da mata; As trilhas devem obedecer as situações topográficas do terreno; em caso inevitável á travessia pela vereda, as trilhas devem ser construídas com material típico da região, como rochas areníticas; As áreas com voçorocas devem receber aterro e plantio de espécies do local. Os cerrados e matas com cultura de subsistência devem ser deixadas livres para o repovoamento natural da vegetação; e Distribuir aos visitantes folhetos informativos e colocar placas educativas esclarecendo sobre o potencial e maneira de usufruir as áreas sem trazer-lhes graves impactos. Fazer o mesmo nas escolas, utilizando recursos audiovisuais, e visitas educativas in loco periodicamente.

SALGADEIRA Localiza-se a noroeste da cidade de Chapada dos Guimarães e a noroeste da Baixada Cuiabana, uma das áreas de contato do planalto chapadense com o início da planície cuiabana. Do platô à toda planície local sucedem-se patamares estruturais de transição (paredão) que congregam uma diversidade de flora, fisionomia exuberante, a qual pode ser considerada, com base em Bordest (1984), com reflexos dos aspectos de transição nas suas características geológicas, climáticas e morfológicas. O colorido reluzente das flores do paus-santos (Kielmeyra grandiflora e K. rubriflora), dos algodõezinhos-do-campo (Cochlospermum regium) , dos para-tudo e piúvas (Tabebuia spp), das quaresmeiras (Macairea sp. Tibouchina sp. Miconia sp), das cássias (Cenostigma gardenerianum, e Cassia desvaux), dos paus-doces e cambarás (Vochysia rufa, Vochysia haenkeana), das iridáceas (Iris sp) , das xiridáceas (Xyris sp)< das ciperáceas (Bubostylis sp) e dos buritis (Mauritia flexuosa) comprova o potencial florístico da área. As plantas agrupam-se formando arranjos (fisionomias ) conforme suas necessidades intrínsecas e as imposições fisiográficas e edáficas locais. O extenso platô tem solos arenosos secos recobertos de cerrado (fruticeto), substituído por campo cerrado e cerrado rupestre no paredão; já na planície suavemente ondulada, formações de veredas interceptadas pela palmeira buriti recobrem as partes mais úmidas próximas aos riachos. As nascentes muitas vezes cedem lugar ás faixas de transições (cerradões, mata semidecídua e mata semidecídua ciliar). Os cerradões com frequência formam-se nas reentrâncias das escarpas e nas nascentes dos riachos. Algumas de suas espécies margeiam os rios que se avolumam. ã medida que os rios recebem os outros afluentes ou percolam os desfiladeiros íngremes que se secedem, apresentam variada fisionomia e em faixas relativamente estritas. Paulatinamente os cerradões cedem lugar á mata semidecídua ciliar ou restringuem-se ás borads de mata. Frequentes nestas duas formações são justacontas (Sclerolobium paniculatum), os cabriteiros (Emmotum nitens), os cambarás (Vochysia haenkeana), as pindaíbas (Xylopia emarginata), as almecegas (Protium hepataphyllum, Protium sp), as tapiriras (tapirira guianesis), os paus-de-óleo (Copaifera longsdorffii) e especies variadas de Chrybalanaceae ( Hirtella glandulosa, Hirtella gracilipes e Licania spp). As formações de cerradão compostas por Hirtella glaudulosa já foram identificadas por Oliveira Filho (1984), Oliveira-Filho e Martins (1986) para essa área e por Ratter (1971) e Ratter et al. (1973) no nordeste de Mato Grosso. Estes autores relacionaram também com a mata seca na transição para a hilea. As áreas onduladas, arenosas interfluviais, relativamente mais secas, geralmente alinhadas com as lombadas das escarpas, recobre-se de cerrado. Em algumas áreas a palmeirinha (Syagrus comosa) principalmente na transição para as verdas, já em outras partes, a palmeirinha tucum (Astrocaryum campestris), a canela-de-ema (Vellozia seubertiana) e em direção ao interior da formação, as plantas tornam-se mais agrupadas, onde se destacam os paus-terra (Qualea parviflora Qualea grandiflora), coroa-de-frade (Mouriri elliptica), o jacarezinho (Mycia albo-tomentosa), os muricis (Byrsonima verbascifolia, B. crassiofolia), os paus-santos (Kiel meyra coriacea, K. rubriflora), os paus-doces (Volchysia rufa, V. cinomamea) e em pontos equidistantes o jatobá (Hymenaea stignocarpa), a fruta-de-veado (Pouteria ramiflora), a mocergueira (Andira cuyabenesis), o pequi (Caryocar brasileinsis), e o açoita-cavalo (Luehea paniculata). Entre as herbáceas e subarbustivas os capins (Thrrasia sp e Eleonurus sp.) e o cajuzinho-do-campo (Anacardium humile) respectivamente sendo este muito procurado pelos saborosos frutos que produzem. As diferenças fisionômicas observadas ora em um grandiente contínuo ora em manchas separadas bruscamente estar intimamente relacionadas com o lençol freático, hipótese já proposta por Askew et al. (1971), Eiten (1972), Ratter et al. (1984) e Oliveira-Filho & Martins (1986). Ainda com base em Goldsmit (1974), o fogo pode ser um dos fatores a atuar no sentido de induzir formação de touceiras e o consequente agrupamento vegetacional, diminuindo formas de gradação entre os tipos vegetacionais e os fatores geomorfológicos da área. Avaliação Das Condições Ambientais Área dotada de beleza cênica singular na região, tem um terminal turístico de arquitetura inadequada e sistema de saneamento precário. A vegetação natural e os cursos d' água estão sendo descaracterizados devido ao desmatamento da mata ciliar, área de camping, trilhas sobre voçorocas nas proximidades dos leitos d' água, aparecimento de plantas alienígenas como o capim-colonião (Panicum maximum), capim-gordura (Melinis Minutiflora), periquiteira (Trema micrantha), imbaúba (Cecropia af. pachystachya e outras invasoras de áreas alteradas.

RECOMENDAÇÕES Sugere-se evitar novas construções na área que ainda tem capacidade turística considerável. Se for bem conduzida pode somar divisas numéricas á economia regional. Para tanto, determinadas precauções devem ser tomadas tais como: Programas de educação nas escolas e distribuição de folhetos para os usuários e a população em geral, fortalecendo o pensamento de conservação de áreas verdes; Sistema de saneamento efetivo para evitar poluição local; e ainda deve-se ressaltar que nesta área estão localizadas as nascentes do rio Coxipó, rio que banha várias chácaras de lazer e bairros residenciais até a sua foz no rio Cuiabá; Recuperação das margens dos rios com reposição da vegetação nativa; Construção de passarelas e trilhas em áreas mais propícias como o cerrado com calçamento de rochas típicas do local, eliminando com isso as trilhas nas veredas e barrancos das rochas; Controle e manejo do fogo devem ser viabilizados para a conservação da área, com construção de aceiros e torres de fiscalização Posto de fiscalização é necessário para a orientação dos usuários e intervenção dos agentes causadores dos danos ambientais, como ateamento de fogo, abertura de áreas, retirada de plantas.

MATA FRIA Esta área situa-se a noroeste da cidade de Chapada dos Guimarães nas proximidades da rodovia MT-305 logo após o local denominado " Portão do Inferno". Área também próxima ao paredão do Planalto chapadense, onde há formação, no sentido leste-oeste, de um vale (canyon) relativamente pouco profundo, sinuoso e drenado por um riacho com carredeiras, quedas rápidas formando cachoeiras de aproximadamente 8 m de altura. Destacam-se 5 tipos de fisionomia vegetal: campo cerrado rupestre, cerrado, cerradão, mata semidecídua ciliar e campo úmido. As amplas faixas do planalto sedimentar ao norte do monumento são recobertas por cerrado com vegetação de porte baixo, onde se evidenciam com freqüência os elementos subarbustivos como Anacardium lumile, Palicourea xantophylla, Anemopaegma arvense, Jacaranda decurrens, Phyllanthus sp, espécies conhecidas regionalmente como cajuzinho, douradinha, catuaba ou vergatesa, carobinha e quebra-pedra, respectivamente. Á medida que se direciona para o lado leste do mesmo local, o cerrado modifica-se paulatinamente para o campo cerrado. Nas imediações do vale, junto ás escarpas encontra-se o cerradão, onde os pequizeiros (Caryocar brasiliensis), as faveiras (Pterodon polygalaefolius) e as justacontas (Sclerolobium paniculatum) fazem-se presentes. Contactando com os elementos do cerradão, descortina-se uma paisagem aberta, o campo úmido. Esta fisionomia evolui, numa extensão relativamente pequena, margeando as nascentes do mesmo riacho ( na segunda plataforma do relevo), á margem direita da rodovia acima citada. Limita-se na direção sul e oeste daquela local com faixas de cerrado de interflúvio e campos cerrado, no lado leste da área. Representantes da eriocauláceas, ciperáceas, gramíneas, além de xiridáceas, labiadas e melastomatáceas ornamentam o campo úmido com suas folhas e flores. Nas imediações da rodovia, crescendo entre e sobre os monumentos ruiniformes encontra-se o campo cerrado rupestre com ocorrência de espécies subarbustivas e hebáceas como Cenostigma gardenerianum, Calliandra parviflora, Eschuweilera nana, representantes das gramíneas, amarilidáceas e orquidáceas típicas deste ambiente, tais como Echnolaena inflexa Hippeastrum sp e Epidendrum sp respectivamente. Broméliáceas e cactáceas estão presente sobre as rochas.

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS

A Área da cachoeira com a vegetação bastante alterada está sendo usada para rituais religiosos, o que se deduz pela presença de restos materiais como vales, panos, garrafas, utilizados freqüentemente nesses cultos. Também nota-se a existência de canos que evidenciam o bombeamento da água para uma fazenda próxima ao local. A limpeza de vegetação ás margens da rodovia vem contribuindo para o processo erosivo da área que tem uma estrutura litológica aparentemente frágil. Os elementos do cerrado, principalmente os de potencial alimentar e medicinal reconhecidos ( pequi, faveiras e outros) estão sendo constantemente arrancados sem o mínimo cuidado de preservação.

RECOMENDAÇÕES Orientar com placas informativas os usuário do local, no que tange ás conseqüências provenientes da poluição por restos de materiais e retirada de plantas; Plantar espécies nativas que ocorrem com freqüência no local, de preferência gramíneas e pequenos arbustos como Tvibouchinas, Miconias, e realizar outras medidas de efeitos a longo prazo, como campanhas de concientização nas escolas que produzirão resultados posimtivos na conservação de áreas naturais; A conservação da área proporcionará ótimo ambiente de lazer em virtude da cachoeira ser de declividade razoável cerca de 5 - 6 m de altura, excelente para crianças. Deve-se tomar cuidado com " risco" de uma vazão incontrolada d' água e uma " boa" correnteza no período chuvoso; e Conscientizar a população com relação aos riscos podem causar na área (falta de alimentos e habitat adequado para os pequenos e médios animais, voçorocas) com a retirada ou depredação das plantas de qualquer área da região.

BURITI A localidade assim denominada é relativamente plana, cortada pelos rios Coxipozinho, no sentido leste-oeste. A vegetação remanescentes concentra-se numa extensão de aproximadamente 20 km, consistindo principalmente de cerrado, cerrado e mata semidecídua ciliar sobre solos arenosos. Na primeira formação as espécies que mais se destacam pelo seu aspecto desenvolvido, 8 - 10 m de altura, copa esgalhada são as canjiqueiras (Byrsonima pachyphilla), justacontas (Sclerolobium paniculata), mataíba (Taipirira guianensis), e a mata semidecídua ciliar, espécies com cerca de 12 - 20 m de altura, como as lauráceas (Ocotea sp), as mircináceas (Rapanea guianensis), burseráceas (Protium heptaphyllum), as moráceas (ficus sp), as leguminosas (Inga sp, Hymenaca courbaril, copaifera langsdorffil) constituem espécies que evidenciam certas adaptações a condições de umidade e anoxia no estrato superior. No estrato mais inferior, encontram-se melastomatáceas ( Miconia sp), solanáceas (Solanum fycocarpum) e ciperáceas (Rhynoaspora). Sempre presente nos cursos d' água e vereda está o buriti (Maunritia flexuosa), planta que provavelmente pela sua frequência na área originou o nome dado para localidade. As demais fitosionomias sào representadas por grande extensão de cerrado e pastagens em torno da área. Manchas de campo úmido nas cabeceiras e campo sujo ( áreas ecotonais) na transição para o cerradão onde são frequentes os aglomerados de gravatás ( Ananas ananassoide e Bromelia balansae. Ainda sobressai pela densidade, cor verde-limão e movimento pelo toque da correnteza no leito do rio Monjolinho, uma macrófita (cf. Mayaca sp), área relatfivamente aberta.

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS Esta vegetação parcialmente descaracterizada pode ser considerada como testemunha de uma cobertura verde outrora exuberante. A retirada de grandes árvores da mata foi constatada pelas clareiras e resíduos das árvores sobre o solo, além de espécies invasoras no interior da mata como Solanum lycocarpum. A atividade de cerâmica nas proximidades do rio Coxipozinho vem contribuindo para alteração da vegetação. Verificou-se ainda a construção de barragens no rio Coxipozinho. Estas atividades podem alterar o funcionamento natural dos rios bem como provocar ações prejudiciais ao meio, tais como assoreamento do leito dos cursos d' água, modificações ecológicas nas áreas atingidas pela erosão e/ou assoreamento em função da retirada da vegetação ciliar.

RECOMENDAÇÕES Por se tratar de uma área particular e que faz limites com o Parque Nacional, recomenda-se: - orientação dos administradores da área no sentido da conservação das formações remanescentes e construção de aceiros para evitar entrada de fogo; - Fiscalização pela Política Florestal na área, evitando a caça depredatória e o desmatamento; e - trabalho de conscientização ás crianças, através da própria escola evengélica e outras, que poderão agir como agentes multiplicadores da informação.

CACHOEIRINHA Esta região situa-se a jusante de Buriti, sendo atravessada pelo mesmo rio Coxipozinho e um afluente deste. Apresenta os canais de drenagens rasos porém relativamente em funções das condições edáficas e do relevo. Na área ocorre o planalto interrompido resultando os paredões e concavidades com sedimentos arenosos, formando as conhecidas cachoeiras e piscinas naturais voltadas para o lado oeste, também constituindo o vale. A vegetação local obedece a estes padrões gemorfológicos, edafoclimáticos, entre outros, constituindo-se essencialmente de mata semidecídua de interflúvio e cerradão, sendo este último observado nas áreas adjacentes, estendendo-se na áreas planas em grande faixa a montante do local. A área é bastante interessante pela diversidade florística que apresenta como espécies de estrutura desenvolvida, verdadeiras árvores, entre as quais: pindaíbas (Xylopia cf. aromatica), orelha-se-negro (Enterolobium tamboril), ingás (Inga spp), paus-de-óleos (Copaifera langsdorffii), Sloanea sp, (Rapanea guianensis), olho-de-boi (Diospyros sericea), cambará de caule amarelo (Vochysia haenkeana, Vochisya sp), louro (Cordia bicolor); sobreponde-se em grandes alturas com cerca de 15 a 20 m espécies adaptadas a condições especiais de luminosidade e nutrientes, com as orquídeas, aráceas e polipodiáceas, também ciateáceas com fetos arborescentes e muitas plantas jovens, com potencial ornamental inquestionável. Também parecem resistir a condições, principalmente luminosidade direta e possível escassez de nutrientes no paredão, algumas espécies de aráceas (Phydendron sp; Anthurium sp ), cactáceas, ocnáceas (Cespedesia spathulata) e moráceas (Ficus sp)

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS A área encontra-se bastante descaracterizada devido á exposição das rochas e solos e retirada indiscriminada de plantas ornamentais. As orquídeas, pteridófitas, entre outras provavelmente em troca de umidade funcionam como protetoras dos paredões e barrancos na área. A abertura de clareiras na mata ciliar e vegetação adjacentes para instalações de lanchonetes e áreas de lazer é outro fator degradador do local. As trilhas inadequadas nas bordas dos barrancos provocam acentuada erosão, tombamento acelerado das árvores ( assim como clareiras) e assoreamento dos leitos dos riachos. Constatou-se ainda a poluição por resíduos sólidos ( garrafas sacos plásticos, latas ) deixandos pelos usuários do local.

RECOMENDAÇÕES Sugere-se para diminuir os impactos ambientais, que vem sofrendo o local, a construção de trilhas e escadarias com rochas típicas da região para evitar interferência ao máximo, tal como na alteração e carreamento de solo aos canais de drenagem e fratura de barrancos. A plantação da área com espécies nativas faz-se necessária como medida amenizadora da erosão e assoreamentos dos riachos, assim como a manutenção da vegetação local em equilibrio. Fixar placas explicativas sobre a importância daquele ambiente para os visitantes, orientando-os sobre a forma correta de utilizá-lo. Evitar retirada de plantas e viabilizar adequadas condições de higiene e controle da poluição no local. Persistir com educação ambiental nas escolas, mostrando a utilidade de tais plantas para o solo, rios, cachoeiras, assim como as razões dos banhos naturais para a saude da pessoas.

VÉU DE NOIVA Localiza-se a noroeste da cidade de Chapada dos Guimarães, entre os locais denominados Mata Fria e Cachoeirinha, adentrando-se cerca de 2 km á direita da rodovia MT-305 (sentido Cuiabá-Chapada). Local de variada fitofissionomia, o que é descortinado da região próxima da Cachoeirinha ( á direita da rodovia Cuiabá-Chapada). Quando o rio Coxipozinho atravessa o paredão de rochas de rochas sedimentares da Formação Furnas, abruptamente se lança ao vale com uma queda d' água de aproximadamente 70 m de altura, e torna-se, assim a cachoeira Véu de Noiva, prosseguindo então seu curso por um canyon profundo, relativamente aberto. Dando um aspecto pitoresco ao lugar, ás suas adjacências, tem-se o campo cerrado com sua espécies típicas de flores alvas, róseas, lilases e amarelas principalmente. Espécies como Mandevilla sp, Piptocarpha rotundifolia, Eremanthus sphaerocephalus, Kielmeyera coriacea, Himatanthus obovata, Vellozia, seubertiana recobrem os solos rasos do platô. Aparecem revestindo os paredões e as margens destes, que de certa forma retêm umidade, as espécies de velosiáceas (Vellozia sp), Melastomatáceas (Tibouchina sp, Miconia sp, Macairea sp), cactáceas, ciperáceas, orquidáceas (Cyrtopodium sp), icacináceas (Emmotumnitens), e malpighiáceas (Byrsonima crassiflora). Estas duas últimas também foram encontradas no campo cerrado rupestre. A mata semidecídua ciliar, constituída de espécies que alcançam cerca de 20-25 m de altura, como pindaíba (Xylopia emarginata), morototó (Didymopanax morototoni), cambará de caule amarelo (Vochysia haenkeana), pau de óleo (Copaifera langsdorffii), Ingá ( Ingá sp) e a palmeira bacaba ( O nocarpus distichus) predomina nas margens do rio , estendendo-se em todo o vale. No planalto adjacente, entre a Cachoeirinha e Véu de Noiva os solos arenosos espessos, avermelhado, são recobertos por cerrado. Vegetação essa que ocorre em manchas nas áreas planas das proximidades da região. Chega-se a ter extensão considerável rumo norte a partir daí em direção a Água Fria. Nessas áreas o cerrado se torna ora mais fechado, ora mais aberto. A vegetação é bem diversificada, mas com frequência têm-se as palmeiras Syagrus comosa, Kielmeye rubriflora, Palicourea xanthophylla, Eremanthus mathogrossensis e outras que se destacam pela real beleza das folhas e/ou flores.

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS Área de beleza cênica ímpar, vem sendo alterada devido a construções de lanchoentes estradas e trilhas inadequadas que contribuem para o carreamento de sedimentos sobre o mirante ali construído. Evidências de ação antrópica como ateamento de fogo, retirada de plantas dotadas de potencial ornamental das margens do paredão e desmatamento nos platôs expòem rochas e solos ás intempéries, bem como a presença de residuos sólidos (plásticos, garrafas, latas, etc.). Tudo isso vem contribuindo sensivelmente pra a descaracterização do local.

RECOMENDAÇÕES construção de estradas e trilhas que obdeçam as condições topográficas do terreno, evitando com isso o carregamento de sedimentos para o canyon; melhorias de lanchonete ali construída em estruturas rústicas, porém com sistema de saneamento básico. A lanchonete deveria estar localizada na parte mais plana do local; orientação aos usuários com materiais informativos (folders, cartazes) no que tange a poluição por resíduos sólidos e retirada de plantas; e fiscalização do uso indiscriminado do fogo e desmatamento, na area e circunvizinhaças

INDEPENDÊNCIA O rio Independência, localizado a noroeste da cidade de Chapada dos Guimarães, corre no sentido sudeste-noroeste. Caracteriza-se esta área pelas elevações convexas recortadas por grotas ou riachos e vales de desfiladeiros íngremes. O principal canal de drenagem desta região é o córrego Independência. Este, no seu percurso, forma várias cascatas de diferentes alturas, sendo as principais: Sonrisal, do Pulo, Andorinhas e Independência. A vegetação que ocorre ao longo destas grotas ou riachos constitui-se de estreita faixa ( 4 - 6 m de largura em média, alargando-se nos vales mais profundos) de mata semidecídua ciliar, com inclusões de espécies ou mesmo formações de cerradão típicos da fitofisionomia da região. Entre as espécies arbóreas atingindo cerca de 5-8 m de altura estão as crisobalanáceas (Licania sclerophylla, Hirtella glandulosa, H gracilipes), burserácea (Protium heptaphyllum), anacaridácea ( Tapirira guiaanensis), voquisiácea (Voshysia sp), anonácea (Xylopia cf. aromatica), leguminosa Capaifera langsdorffii) e ocnácea (Cespedesia spathulata). A poucos metros dos canais de drenagem em direção ás elevações, fazendo transição para o cerrado, destacam-se faixas de campo úmido. Nessas faixas os estratos herbáceo e subarbustivo, constituídos por ciperáceas, gramíneas e melalastomatáceas principalmente, sobressaem pelo arranjo pitoresco típico. Também dependendo do lugar, a fisionomia da vegetação muda abruptamente, ora para cerrado ora para campo rupestre, dotada de uma considerável diversidade florística semelhante a outras áreas aqui tratadas, como São Jerônimo, caverna Aroé-Jari e Véu de Noiva.

AVALIAÇÕES DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS As diversas trilhas inadequadas decapeiam o solo. Originam processo erosivo na área de declive e assoreiam o leito dos riachos. A busca constante de atividades de lazer submete o local a pertubações e causa o desmatamento da mata ciliar. A cobertura vegetal que ocorre na área é muito importante, pois além de propiciar um panarama visual característico e embelezador em meios ás esculturas rochosas certamente ameniza o impacto das torrentes. A própria litologia local evidência fragilidades ás intempéries. A presença de resíduos sólidos ( latas, garrafas e plásticos) próximos dos riachos denuncia o turismo desordenado na área.

RECOMENDAÇÕES Devido aos fatores negativos oriundos das trilhas inadequadas, recomenda-se que elas sejam calçadas com rochas típicas e se façam apropriadas com canais de escoamento da água proveniente das chuvas. A vegetação das áreas desmatadas com espécies nativas já citadas torna-se uma ação necessária para manutenção destes ambientes. As orientações aos usuários como já descritas em outras áreas são etapas para um turismo menos impactante do que o constatado na área.